Reunião de Garotas

      “Vai ser uma ótima festa!” Eu não acredito que deixei essas palavras me convencerem. Eu não queria vir a essa festa. E agora aqui estou eu: entre a lâmina da faca de um maníaco assassino e uma queda para a morte do telhado da casa da Cássia.
      A casa estava arrumada para a festa. Na verdade uma pequena reunião para garotas. O filme — O Cisne Negro — estava no aparelho de DVD, Cássia preparava a pipoca e Karine nos servia refrigerante.
      Éramos oito no total, mas apenas seis de nós estavam sentadas no sofá: Sara, Ana Luíza, Débora, Lorrane, Franciele e eu.
      Cássia trouxe a pipoca e a entregou para nós. Ela e Karine sentaram-se no sofá e nós assistimos ao filme.
      Quatro garotas levantaram-se do sofá quando o filme terminou: Sara, Cássia, Débora e Lorrane. Elas partiram para locais diferentes da casa. Débora e Lorrane subiram as escadas para o segundo andar, Sara foi para o quintal e Cássia para a cozinha.
      Alguns minutos depois Cássia voltou com uma bandeja de sorvete. Todas nós pegamos uma taça. Lorrane e Sara voltaram e pegaram suas taças também. Lorrane estava com um arranhão na mão.
      Todas nós estávamos rindo e nos divertindo zombando de outras garotas da nossa turma.
      Eu não percebi, mas estava faltando algo muito importante.
      — Onde está a Débora? — perguntei.
      — Ela deve ter encontrado o computador da Cássia — falou Lorrane.
      Eu dei de ombros. Sim, poderia ser isso mesmo. Franciele, Lorrane e Cássia foram lavar as louças que havíamos sujado. Eu fiquei na sala jogando baralho com o restante das meninas.
      Eu ouvi um pequeno baque. Fora um copo que se quebrara, eu tinha certeza. Lorrane voltou para a sala enraivecida.
      — É, eu sou uma pessoa ruim — reclamou ela para si mesma. — Eu as ajudo a lavar as louças e elas me abandonam lá, sozinha. E pra piorar eu quebrei uma unha. Alguma de vocês viu as garotas?
      — Não — falei junto com Karine.
      — Eu vou ao banheiro e se eu ver alguma delas eu aviso — falou Ana Luíza e subiu as escadas.
      Ninguém falou mais nada. Todas estávamos esperando que Ana Luíza voltasse.
      Foi então que ouvimos o primeiro grito. Era Ana Luíza. Como ela era sempre escandalosa achamos que ela havia apenas visto um inseto.
      Como estávamos sendo idiotas!
      A energia caiu e a televisão se apagou. Tudo estava escuro, a única coisa que nos proporcionava alguma iluminação se apagara.
      Nenhuma das quatro garotas voltou. Ana Luíza não gritou mais. O que fora estranho, pois ela deveria ser a primeira a gritar após a queda de energia.
      Todas nós estávamos começando a ficar assustadas.
      — Cássia para com isso! — gritei com a esperança de que ela me ouvisse e parasse com tudo aquilo. — Não tem graça!
      — Eu não fiz nada — respondeu ela com a voz calma.
      Eu pude vê-la encostada na parede. Apenas uma sombra na verdade.
      — Você tem lanternas aí? — perguntou Sara.
      — Eu vou buscar — falou Cássia.
      — Eu vou com você — falou Lorrane e as duas subiram as escadas.
      Eu me sentei no sofá e seguirei a mão de Sara. Ela estava tão assustada quanto eu.
      — Mana, vamos embora — pediu ela.
      Eu não podia negar nenhum pedido que ela me fizesse daquela forma, mas eu também não podia ir sem a Débora, ela era como uma irmã para mim.
      A energia voltou e a televisão voltou a iluminar a sala. Eu ascendi a luz. Havia uma folha de caderno grudada na parede. Estava escrito em uma tinta vermelha:





      Eu me virei para ver o local onde Karine estava. Eu ouvi o grito de Sara antes de ver a cena. Karine estava deitada em uma poça com seu próprio sangue. Havia um enorme corte em seu pescoço.
      — Vamos sair daqui! — gritou Sara.
      — Sim — falei —, vá. Eu vou procurar por Débora.
      — Não, você não vai ficar aqui.
      — Não discuta comigo. Saia e busque ajuda. Eu vou atrás das outras garotas. Se Débora não está mais viva, Lorrane e Cássia ainda podem estar.
      Eu subi os degraus da escada lentamente. Eu ainda não sabia o que eu poderia encontrar no segundo andar. O corredor estava escuro. Eu só conseguia enxergar alguns centímetros a minha frente.
      Eu tirei as sapatilhas dos pés e caminhei o mais silenciosamente possível. Eu mantinha minha respiração calma.
      Alguém me puxou pela cintura. Eu teria gritado, mas a mão em minha boca me impediu de fazê-lo. Estávamos dentro de um quarto. Era Lorrane.
      — Você já deve saber o que está acontecendo — falou ela.
      Eu concordei com a cabeça.
      — Quem mais está viva? — perguntei a ela.
      — Acho que só nós duas.
      Ela estava com a lanterna nas mãos e apontou para a cama. Eu caminhei lentamente até lá. O lençol branco estava cobrindo um corpo. Era Cássia, com certeza. Havia outra folha na cabeceira da cama. Eu ascendi o abajur para que pudesse ler.





      — Por que seu nome está riscado? — perguntei a Lorrane. — E o nome da Cássia não está mais aqui?
      Não houve resposta. Eu estava com medo de me virar e constatar a verdade.
      Antes que meu cérebro processe tudo aquilo, minhas mãos estão na sacada do quarto.
      Eu preciso fugir. Mas para onde? E como? Pelo telhado. Se eu tiver sorte, posso voltar pelas escadas do sótão.
      Claro que eu não tive essa sorte e o nosso misterioso assassino me alcançou e está com a faca nas mãos.
      Todos se foram. Até minha irmã. Eu devia ter ido com ela, não devia tê-la deixado sozinha. Agora a morte me parecia uma punição adequada.
      — Como vai ser? — perguntou uma voz familiar por baixo do capuz preto. — Vai pular ou não?
      O assassino está cada vez mais perto. Eu estou na beirada do telhado. Não posso me afastar mais.
      Ele está cada vez mais perto. Ele para um metro apenas de mim. Ele tira o capuz e eu posso ver seu rosto.
      O cabelo negro brilha intensamente sob a luz da lua, seus olhos pretos parecem famintos agora. Sua pele marfim ainda parecia veludo. Cássia. Claro.
      — Surpresa? — perguntou ela sorrindo.
      Não. Aquilo não me surpreendia. Se existia alguém ali fria e cruel o bastante  para ser alguma espécie de Serial Killer, esse alguém era a Cássia.
      — Não muito. Sempre imaginei que você era doente.
      — Ah!, fala que no fundo você não imaginou que fosse outra pessoa? — ela estava mais perto. — Já decidiu como vai ser?
      Ela levantou a mão que estava com a faca. Sim, eu iria morrer, mas ela iria comigo.
      Eu a seguirei pelo pulso e me joguei do telhado, levando-a comigo. Agora eu me vingara por Sara, por Débora e por todas as outras.
      Eu ouvi o barulho do baque antes de sentir a dor. Tudo ficou escuro.

                                                                                                                                      Rita Cruz

12 Comentários:

Samara disse...

nossa gostei da história é muito doida

Rita de Cássia disse...

Obrigada pela leitura e pelo comentário... A opinião de vcs é mt importante.

TUKABEATS@HOTMAIL.COM disse...

wow
Só vc mesmo Rita.Parabéns pela história!!!
SE vc queria me assustar conseguiu.Rsrs
Vc escreve muito bem.

Rita de Cássia disse...

Obrigada Fran... Sua opinião é super importante, afinal vc foi uma das garotas que me inspirou a escrever essa história. Obrigada por ler.

TUKABEATS@HOTMAIL.COM disse...

:)De nada precisando de inspiração estarei aqui rsrs zuera.
Vc é surpreendente,adorei de verdade a história muito boa,espero q tenha outras como essa.

kerubynkyls disse...

muito boa historia parabens..

TUKABEATS@HOTMAIL.COM disse...

Valeu Raquel por ler.Miguxa linda sz

James Mut disse...

muito boa, gostei =)

­ ♪ ℓ σ r r α ท ε ♪ disse...

gostei muito Rita,parabens!!
estou arrepiada de tanto medo!!!!
kkkkkkkk

Rita de Cássia disse...

Obrigada a tds por lerem...
Que bom q vcs gostaram.
Em breve postarei novos contos.

Débora Rita disse...

AAAAAAAAAAAH, adorei, e fiquei com medo até umas 2 horas depois de ler.

Karine disse...

Naum gostei.. Num descobri kein tava narrando... =S e eu morri... T_T

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